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Daniela Giopato Esse quadro foi gerado pelo crescimento acelerado das metrópoles, do consumo de produtos industrializados e descartáveis, e da frota circulante de veículos. Os carros, por exemplo, geram um impacto ambiental em quase todo o seu ciclo de vida: na produção, durante o uso e no descarte. Dentro desse processo, as oficinas mecânicas, assim como as indústrias, são responsáveis por grande parte desse lixo no ambiente. E com um grande agravante: quase todos os resíduos são perigosos, ou seja, apresentam riscos à saúde pública e ao meio ambiente. Algumas empresas de reparação, conscientes do problema, resolveram criar esquemas de coleta seletiva para contribuir com a reciclagem e garantir que os resíduos automotivos, gerados em seus estabelecimentos, tenham um destino correto. Há 36 anos no mercado, a Mecânica Mano, da cidade de Salto/SP, realiza a coleta seletiva de lixo há oito, separando os resíduos e entregando-os a cooperativas que reciclam os materiais. O investimento foi de apenas R$ 1.500,00 e o proprietário Lázaro José Mano afirma que o ganho para o ambiente compensa. “Acredito que as oficinas mecânicas têm muito o que contribuir com a reciclagem porque lidamos com produtos muito tóxicos. Uma gota de óleo lubrificante, por exemplo, contamina 100 litros de água. Hoje, os resíduos de lavagens de peças, como querosene, fluídos e graxa, vão para uma caixa de decantação e não mais para o esgoto”.
Os frascos de óleo passam por um processo de decantação antes de serem entregues ao processo de reciclagem. A Mecânica Mano faz a coleta de diversos itens e cada um é destinado a um tipo de empresa, todas cadastradas no Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente) e na ANP (Agência Nacional do Petróleo). A Cooperativa Recicooper retira as embalagens de papelão - sem contaminar a água com graxa – e as plásticas. Antes, porém, os frascos de óleo passam por um processo de decantação para eliminar completamente os resíduos e são armazenados em locais seguros. Os materiais ferrosos e filtros de ar vão para a CORBES, que faz a classificação de cada componente. O óleo lubrificante usado é destinado a empresas de refino para fazer a filtragem, separando o resíduo do óleo para que volte a ser puro. “Este óleo chega a ser melhor do que o que o originou. Para que essa operação seja realizada com sucesso fizemos um esquema na qual o óleo sai do veículo e é acomodado diretamente em tambores de 200 litros, sem entrar em contato com o ambiente”, afirma Mano. Um dos diferenciais destacados por Mano é o reaproveitamento dos panos sujos. “Os panos utilizados na nossa oficina são retirados por uma empresa cadastrada na Cetesb, que tem função de lavá-los e nos devolver. A água suja e tóxica também tem destino certo. Assim evitamos o antigo costume de jogar no lixo ou queimar”. Ainda não existe nenhuma lei que obrigue as oficinas a realizarem esse tipo de trabalho, depende da conscientização de cada um. “A única obrigatoriedade é quanto ao óleo lubrificante, que a ANP exige que 60% do total de óleo deve ter um certificado de recompra. Mas é claro que só vale a pena se tem uma empresa séria retirando o material e não os famosos “catadores avulsos”. Além disso, a coleta desses materiais ajuda a oficina a proporcionar aos seus clientes um ambiente limpo e organizado”, afirma Mano. Outra empresa que também realiza reciclagem é a DPaschoal, por meio do Programa Reciclando Numa Boa, que recolhe em todos os seus 200 pontos de vendas nas regiões Sul e Sudeste do País, escapamentos, molas de suspensão, bandejas, amortecedores, baterias, entre outros componentes. Estes materiais são resultantes de manutenções e voltam ao mercado como novos produtos. Segundo a empresa, nos oito primeiros meses deste ano foram recolhidos para reciclagem mais de 2 mil toneladas de escapamentos. A expectativa é de alcançar 5 mil toneladas até dezembro. “É nossa responsabilidade, mesmo não sendo obrigação legal, nos preocuparmos com o que será feito dos resíduos que produzimos. Estamos cuidando do nosso futuro”, alerta Fábio Basso, gerente de marketing da empresa.
Os resíduos resultantes da lavagem de peças, como querosene, fluídos e graxa vão para uma caixa de decantação O início da reciclagem, conforme a DPaschoal, se dá com a orientação dos funcionários, que aprendem a separar e armazenar o lixo de maneira correta. Em seguida, todas essas peças acondicionadas são coletadas nos sete Estados onde a DPaschoal atua, através de um operador logístico capacitado pela Mazola Logística e Reciclagem. “O processo é longo, vai desde o local onde os resíduos ficam armazenados nas lojas até o acompanhamento do correto destino na última etapa, que é o reciclador. E todos os meses temos a comprovação do destino dos materiais através de relatórios”, conclui.
O IQA – Instituto de Qualidade Automotiva – alerta que apesar de ainda não existir uma fiscalização quanto ao descarte adequado dos materiais, considerando-se aspectos ambientais, em um futuro breve será exigência obrigatória para a certificação do IQA. O Instituto ressalta que o procedimento correto é a coleta seletiva para produtos sólidos e um sistema de decantação para produtos químicos e oleosos. “Algumas empresas certificadas já efetuam esse procedimento por conta de exigências da própria legislação e recomendação do IQA nas auditorias”, afirma Alexandre Xavier, coordenador de Marketing e Comunicação. Já o Sindirepa-SP – Sindicato da Indústria de Reparação de Veículos e Acessórios do Estado de São Paulo – afirma que a conscientização ecológica é fundamental nesse tipo de ação, mas as oficinas podem obter ainda mais benefícios com essa prática. “A coleta seletiva resulta em ganhos financeiros e ambientais. Mas, para um trabalho mais efetivo, precisamos promover campanhas e incluir tema ambiental no conteúdo programático dos cursos do setor”, afirma Antônio Gaspar de Oliveira, diretor técnico da instituição. A DPaschoal faz coleta das peças e armazena separadamente para facilitar O Sindirepa-SP
realiza uma série de atividades para contribuir com a preservação
do meio ambiente. “Iniciamos com o tratamento de efluentes
líquidos para que a água resultante da lavagem de
peças impregnadas com óleo, graxa, querosene e outros
derivados de petróleo, seja descartada na rede de esgotos
sem a presença de hidrocarbonetos e para isso recomendamos
o uso da caixa separadora de areia e óleo cujo modelo está
disponível no nosso site. www.sindirepa-sp.org.br. Sugerimos
também cuidados com o descarte do líquido de arrefecimento
(água do radiador), que pode ser reciclado, ou solicitar
que empresas especializadas façam a remoção
e destino conforme lei vigente”, completa. Os panos sujos utilizados na Mecânica Mano são retirados por uma empresa cadastrada na Cetesb, que tem função de lavá-los e devolver para uso. Os resíduos resultantes da lavagem de peças, como querosene, fluídos e graxa vão para uma caixa de decantação. O óleo
que sai do veículo é acomodado diretamente em tambores
de 200 litros, sem entrar em contato com o ambiente.
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