Acreditando na queda dos juros, os fundos de pensão começam
a transferir recursos para o setor produtivo, especialmente, o de
infra-estrutura.
Com a presença da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff,
a sede da Federação das Indústrias do Estado
de São Paulo (Fiesp) foi palco, nesta quinta-feira (06/07),
do lançamento do Fundo InfraBrasil. Trata-se de um Fundo
de Investimento em Participações (FIP’ s) para
financiar projetos de infra-estrutura do setor privado, com recursos
captados junto a investidores institucionais nacionais e estrangeiros,
dentre eles os fundos de pensão. O patrimônio inicial
do InfraBrasil é de R$ 620 milhões, podendo chegar
a R$ 1 bilhão nos próximos seis meses, quando será
encerrado o prazo para o ingresso de novos investidores.
"Essa iniciativa vai tirar da prateleira projetos que se tivessem
apenas no BNDES não sairiam do papel. Além de ajudar
a assegurar infra-estrutura que aumente nossa capacidade de concorrer
no mundo globalizado", disse a ministra-chefe da Casa Civil.
O InfraBrasil foi idealizado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento
(BID) – do qual o Brasil é o maior acionista e também
o maior tomador de recursos – e contou com a participação,
para a sua estruturação, dos fundos de pensão
Funcef, Petros, Previ, Valia e Banesprev, além do Banco do
Brasil e do ABN AMRO Real. Este último, ademais de gerir
o fundo, analisará os projetos nas áreas de logística
(rodovias, ferrovias, portos e aeroportos), telecomunicações,
distribuição de gás, energia (geração,
transmissão e distribuição), água e
saneamento. Funcef e Petros juntas detêm 50% dos recursos
do novo fundo, podendo chegar, cada uma, a depositar R$ 225 milhões.
"Este fundo permite aos investidores de longo prazo alocar
seus recursos em empresas que tenham potencial de desenvolvimento",
disse Guilherme Lacerda, presidente da Funcef, para quem a iniciativa
retoma a possibilidade, que surgiu nos anos 90, de fazer investimentos
no setor produtivo por meio dos fundos de participações.
"O saldo dos FIP’s voltados para infra-estrutura, hoje,
somam de R$ 3 a 3,5 bilhões", explicou.
De acordo com Lacerda, estima-se que o setor de infra-estrutura
demanda recursos da ordem de R$ 10 a 15 bilhões por ano.
"A expectativa é que o fundo gere um caixa de 10% ao
ano. Valor suficiente para nos remunerar e gerar o fluxo de caixa
necessário para pagar nossos aposentados", disse o presidente
da Petros, Wagner Pinheiro.
Em sua opinião, o lançamento marca um momento histórico,
pois é perceptível a compreensão dos maiores
fundos de pensão de que a taxa de juros está caindo.
“Trata-se de um investimento de risco moderado alternativo
à carteira enorme de títulos federais – cerca
de 70% dos investimentos dos fundos de pensão –, que
perderá rentabilidade com a queda dos juros”, afirmou
Pinheiro, durante evento.
O aspecto inovador do InfraBrasil está na participação
de uma instituição multilateral – o BID –
como credor, por meio de um empréstimo de 12 anos, no valor
de até US$ 75 milhões, sendo que o aporte inicial
será de US$ 43 milhões. Essa operação
tornou-se possível após mudanças nas regras
que regem os fundos de investimentos, que permitiram que agências
multilaterais e bancos de desenvolvimentos concedam créditos
ao Fundo de Investimento em Participações. “Foi
um grande avanço termos conseguido estruturar um fundo com
a presença do BID, mas ainda é preciso que os empréstimos
sejam feitos em moeda local”, ressaltou Lacerda.
Segundo Geoffrey Cleaver, superintendente executivo do ABN AMRO
Real, os projetos de infra-estrutura serão financiados por
meio do investimento em ações e de instrumentos de
dívida de longo prazo.
Nos próximos três anos, o ABN AMRO Real deve selecionar
os projetos que, além de apresentar um negócio rentável
para os cotistas, deverão estar alinhados com as avançadas
práticas de responsabilidade social e governança corporativa.
O desembolso por parte do fundo sairá dentro de quatro anos
e o encerramento deste se dará daqui a 15 anos.
"Ao final, serão contemplados de 10 a 20 projetos, sendo
que cada um deles receberá cerca de R$ 65 milhões
- 10% do total de ativos do fundo", informou Cleaver. No momento,
o banco está analisando três projetos nas duas áreas
de infra-estrutrua melhor reguladas: energia e transportes.
Saturnino Sérgio da Silva, diretor-titular do Departamento
de Infra-estrutura da Fiesp, salientou a importância do fundo
para a iniciativa privada, mas lembrou da relevância de marcos
regulatórios confiáveis para atrair os investidores.
Mariana
Ferreira, Agência Indusnet Fiesp
Fotos: Kênia Hernandes