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Importação de CFC está próxima do fim

A partir de janeiro do ano que vem, somente será permitida a comercialização do estoque remanescente de produtos ou de CFC regenerado. Esta é uma das medidas voltadas para banir o uso de substâncias que destroem a camada de ozônio e que possui reflexos nas áreas de refrigeração e condicionamento de ar.

O Brasil prepara-se para eliminar, até o final deste ano, a importação de fluidos refrigerantes à base de clorofluorcarbonos – CFC, substância largamente utilizada em sistemas de refrigeração e condicionamento de ar, entre outras aplicações, e que está com os seus dias contados em todo o mundo dado o seu potencial de destruição da camada de ozônio. A partir do dia 1º de janeiro de 2007, somente será permitida a comercialização no território nacional de estoques remanescentes da substância ou de CFC reciclado ou regenerado, para atender à necessidade de manutenção do parque de equipamentos que ainda opera com este tipo de refrigerante.

O CFC, que começou a ser utilizado nas décadas de 1930 e 1940, foi até recentemente o fluido mais aplicado em processos de geração de frio que utilizam a tecnologia por compressão de vapor (até hoje dominante no mercado). A partir de 1974, com a publicação de estudos sobre o seu potencial de destruição da camada de ozônio e os efeitos que isso provoca no meio ambiente, os cientistas entraram em alerta. Ao longo dos anos, várias discussões foram desenvolvidas por autoridades de diversos países, culminando com a formalização, em 1987, do Protocolo de Montreal, no Canadá.

Em 1990, o Brasil aderiu ao tratado. De acordo com o que foi estabelecido no Protocolo de Montreal, os países em desenvolvimento teriam até o ano 2010 para eliminar a produção e o consumo das SDO (Substâncias que Destroem a Camada de Ozônio). O Brasil, no entanto, resolveu antecipar o prazo para acabar com o CFC dentro das suas fronteiras. Uma resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) estabeleceu 2007 como limite para banir as importações dos CFC, já que o produto não é mais produzido no país desde 1999.

Para colocar em prática o compromisso assumido perante a comunidade internacional, o governo desenvolveu e passou a adotar o Programa Brasileiro de Eliminação da Produção e do Consumo das Substâncias que Destroem a Camada de Ozônio. Do PBCO se derivou o Plano Nacional de Eliminação de CFC, específico para clorofluorcarbonos.

Reta final

O fim da importação de CFC pelo Brasil é o estágio final de um processo que começou em 2001. Em 1º de janeiro daquele ano começou a ser implementada uma redução gradativa da importação, tendo como base a quantidade média de CFC importada ou produzida por empresa no período de 1995 a 1997. A meta consistia em diminuir em 15% a importação no ano de 2001, 35% em 2002, 55% em 2003, 75% em 2004, 85% em 2005, 95% em 2006 e 100% em 2007.

Desde o início de 2001 também se tornou proibida a utilização dos CFC em novos equipamentos. Mesmo assim, o Brasil ainda tem um grande número de equipamentos antigos (fabricados para operar com CFC) que continuam em funcionamento. São cerca de 40 milhões de geladeiras domésticas, muitos expositores utilizados na refrigeração comercial, sistemas de ar condicionado automotivo e várias máquinas centrífugas de grande porte usadas para o condicionamento de ar em empreendimentos como shoppings, hotéis e prédios comerciais, por exemplo.

Agora vai se tornar cada vez mais difícil conseguir o suprimento de CFC para fazer manutenções nestes equipamentos antigos e que ainda estão em funcionamento. A solução mais recomendável em muitos casos é proceder a um retrofit (conversão ou ajuste técnico para que a máquina possa funcionar com outra alternativa de fluido refrigerante).

Além de continuar utilizando o equipamento até o término de sua vida útil e contribuir para a preservação do meio ambiente, muitas vezes, o usuário consegue até reduzir os gastos de energia com uma operação de retrofit do fluido refrigerante. Ocorre, porém, que nem sempre esse tipo de providência é possível, seja por inviabilidade técnica ou simplesmente pelo fato de tratar-se de equipamentos muito antigos, cuja vida útil está próxima do fim, o que não compensaria o investimento a ser realizado. Neste caso, restam duas alternativas com o final da comercialização de CFC virgem, importado: recorrer ao comércio de CFC reciclado ou regenerado quando necessitar de um reparo (fuga de fluido do sistema) ou ainda aposentar o equipamento.

Com recursos do fundo multilateral de implementação do Protocolo de Montreal, foi inaugurado em São Paulo, no ano passado, um centro de regeneração de CFC. A sua finalidade é receber o CFC usado – extraído de equipamentos ainda em funcionamento ou que serão encaminhados para descarte – e submetê-lo a um processo de recuperação das suas propriedades fisioquímicas originais, de modo que possa vir a ser novamente comercializado e usado em processos de manutenção que exigem a complementação ou reposição da carga de fluido necessária numa máquina de refrigeração ou condicionamento de ar.

Em 2005, a central regenerou 0,716 tonelada de fluido. Agora em 2006, o volume já atingiu 0,450 tonelada.

De olho na procedência

Com a redução da oferta de CFC no mercado, é preciso redobrar a atenção na hora da compra para não ser lesado. “Temos detectado produtos com grau de umidade além do que é exigido em norma e também a venda de fluidos misturados, comercializados como se fossem CFC-R12”, alerta o coordenador do Grupo Ozônio, Paulo Neulaender.

Mesmo no caso do HCFC é preciso estar atento. “Já constatamos a existência de R22 com umidade 10 vezes superior à permitida na norma ARI 700, que é referência neste segmento”, acrescenta o especialista. Em resumo: ao adquirir fluidos refrigerantes exija laudo de análise, cilindros etiquetados e lacrados, além de nota fiscal. Saber a procedência do produto é fundamental.

Mais três centros deverão ser instalados no país. “Estamos em fase de licitação para a montagem de uma central no Rio de Janeiro e estudando a localização de outras unidades deste tipo para as regiões Nordeste e Centro-Oeste”, afirmou o diretor do Programa de Proteção e Melhoria da Qualidade Ambiental do Ministério do Meio Ambiente, Ruy de Góes Leite de Barros, durante a sua apresentação no 11º Seminário em Comemoração ao Dia Internacional de Proteção da Camada de Ozônio, realizado em 15 de setembro em São Paulo (leia mais sobre o evento na página 28).

Uma das grandes preocupações dos especialistas – mesmo com o consumo decrescente de CFC – continua sendo o recolhimento e a destinação ambientalmente correta dos fluidos contidos nos equipamentos que estão sendo “retrofitados” ou descartados. Com a verba do Protocolo de Montreal, o governo brasileiro também adquiriu 2.000 máquinas recolhedoras de CFC, para serem entregues a mecânicos de refrigeração que atuam na área de serviços de manutenção.

Até agora foram distribuídas 562 delas. “Infelizmente, ainda é muito comum mecânicos liberarem a substância para a atmosfera, sem se preocupar com os danos ambientais envolvidos”, conta Paulo Neulaender, coordenador do Grupo Ozônio, organização que reúne profissionais de empresas ligadas ao setor de refrigeração, além de representantes de órgãos governamentais e do meio acadêmico.

Visando conscientizar os mecânicos sobre as boas práticas de refrigeração e manipulação de fluidos refrigerantes, o governo instituiu ainda um programa de treinamento, que vem sendo implementado pela agência alemã de cooperação técnica GTZ juntamente com a rede Senai. “Até julho deste ano, 7 mil mecânicos já haviam passado por um curso de 20 horas a respeito do tema e prevemos capacitar pelo menos mais 12 mil até julho do ano que vem”, conta Gustavo Arnizaut, gerente de projeto da GTZ. A previsão é de que 35 mil profissionais sejam treinados até 2008. Por enquanto, o curso está disponível em 10 estados (Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Ceará). Na Internet (www.senai.br/proklima), os interessados podem obter mais detalhes sobre o programa e como se inscrever para participar do curso, que é gratuito.

Os investimentos em capacitação deverão totalizar US$ 3,7 milhões. Com o fim da importação de CFC, medidas também estão sendo tomadas para evitar o contrabando da mercadoria. “Foram feitos investimentos em treinamento dos técnicos de alfândega, o Ibama está intensificando as fiscalizações e, caso sejam detectados desvios desta natureza, os responsáveis, além de multas, serão punidos criminalmente”, alerta Zélia Machado de Carvalho, assessora técnica da Superintendência do Ibama em São Paulo. Há pouco tempo, o Ibama e a Polícia Federal fizeram apreensões, no interior paulista, de produtos trazidos ilegalmente do exterior e armazenadas em vasilhames descartáveis, proibidos pela legislação brasileira. Os envolvidos foram presos e respondem a processo por contrabando e crime ambiental.

Olhar para o futuro

Enquanto, por um lado, são desenvolvidos esforços para a eliminação do CFC como fluido refrigerante, os especialistas discutem alternativas para o futuro. “O processo de seleção do refrigerante para um ciclo de compressão de vapor é complexo, envolve a investigação de um grande número de parâmetros, incluindo
propriedades termodinâmicas e de transporte, faixas de temperatura, relações de pressão e temperatura, requisitos para o processo de compressão, compatibilidade com materiais e óleo, aspectos de saúde, segurança e flamabilidade, além de parâmetros ambientais como o potencial de destruição da camada de ozônio e o impacto no efeito estufa do planeta”, explica o engenheiro e professor Roberto Peixoto, uma das autoridades técnicas no Brasil quando se trata de fluidos refrigerantes. Membro do Comitê de Opções Técnicas em Refrigeração e Ar Condicionado, mantido pela Organização das Nações Unidas, Peixoto diz que não existe um fluido perfeito do ponto de vista ecológico e que atenda todas as especificidades de cada tipo de sistema de geração de frio. Alternativas como o HCFC (hidroclorofluorcarbono, que também contém carbono) deverão ser eliminadas até 2030 nos países desenvolvidos e 2040 naqueles em desenvolvimento. O uso de HFC (sem cloro) vem crescendo, mas estas substâncias estão na cesta de gases que contribuem para o aquecimento global do planeta. Os hidrocarbonetos, embora tecnicamente viáveis, são inflamáveis e requerem medidas adequadas de segurança. Existem ainda várias outras soluções. A tendência, segundo apontam os especialistas, é que sejam pesquisadas novas tecnologias e diversificado o uso de fluidos, de acordo com o tipo de aplicação.

No ano que vem, o Protocolo de Montreal completará seus 20 anos de existência e as comemorações serão certamente cercadas de muitos debates sobre o tema. A tecnologia segue avançando, cada vez mais preocupada com os impactos no meio ambiente e na conseqüente preservação do planeta.

Mesmo com a provável recuperação da camada de ozônio, o debate acerca do aquecimento global estará cada vez mais na ordem do dia e novamente a questão dos fluidos refrigerantes estará em debate. Uma questão, no entanto, é certa: o controle sobre as substâncias usadas e medidas para evitar seu vazamento nos sistemas será cada vez mais reforçada. As boas práticas de operação e manutenção dos sistemas revelam-se fundamentais. [
. por Marcelo Couto e Érica Franqulino

DuPont divulga estudos sobre novo fluido

A DuPont apresentou, recentemente nos Estados Unidos, uma nova bateria de estudos com informações técnicas de segurança e performance do “DP-1”, novo fluido refrigerante que a companhia pretende lançar nos próximos anos como potencial substituto do R-134a em ar condicionado de automóveis.

O novo produto, que deverá fazer parte de uma nova geração de fluidos refrigerantes do futuro, apresenta uma composição química que apresenta baixo potencial de aquecimento global e, segundo a companhia, é nofensiva à camada de ozônio. “O produto não é inflamável e apresentou boa performance em vários testes críticos realizados até agora, como os de estabilidade térmica, compatibilidade com outros materiais, efeito lubrificante e toxicidade”, resume Maurício Xavier, gerente de Marketing da DuPont Fluorquímicos para a América Latina.

“Esses novos produtos trarão alternativas práticas em relação a tecnologias experimentais, como a do CO2, que requerem mudanças radicais e modificações dispendiosas dos sistemas convencionais de condicionamento de ar automotivo”, afirma Mark Baunchalk, gerente global do negócio Fluidos Refrigerantes da DuPont. Segundo o executivo, a companhia vai prosseguir com os estudos, em parceria com diversos segmentos da indústria, visando a evitar sobressaltos na futura transição do 134a atualmente utilizado em larga escala no condicionamento de ar em veículos.

Celebração ao Dia do Ozônio

Cerca de 300 pessoas participaram das atividades do 11º Seminário de Comemoração ao Dia Internacional de Proteção da Camada de Ozônio, promovido em conjunto pela Cetesb – Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental do Estado de São Paulo, pelo Grupo Ozônio e pela Abrava, no último dia 15 de setembro.

O vice-presidente de Tecnologia e Meio Ambiente, Samoel Vieira de Souza, esteve representando a Abrava na abertura do evento. Vários outros dirigentes e membros da entidade também marcaram presença no evento.

Desta vez, a cerimônia contou ainda com uma homenagem especial do Grupo Ozônio ao trabalho desenvolvido internacionalmente por Suely Machado Carvalho no Programa das Nações Unidas para Desenvolvimento – PNUD.

Diretora da Unidade do Protocolo de Montreal e com atuação a partir de Nova York, nos Estados Unidos, Suely apresentou no seminário uma palestra sobre “As Relações entre os Protocolos de Kyoto e de Montreal”. O primeiro trata das iniciativas voltadas para conter o aquecimento global do planeta e o segundo das medidas para combater a destruição da camada de ozônio.

Outro palestrante foi o engenheiro Luiz Roberto Peleias Nunes, gerente geral da empresa Emerson Climate Technologies, que discorreu sobre as soluções tecnológicas existentes no mercado para efetuar o gerenciamento e a otimização energética com vistas à preservação do meio ambiente e a redução de custos operacionais das instalações de produção de frio.

O professor Roberto de Aguiar Peixoto, da Escola de Engenharia Mauá e membro do Comitê de Opções Técnicas em Refrigeração e Ar Condicionado do PNUMA (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente), ficou encarregado de abordar as tendências no mercado quanto às alternativas de fluidos refrigerantes.

Por fim, foram apresentadas as ações que vêm sendo desenvolvidas pelo governo federal para fazer cumprir as determinações do Protocolo de Montreal. A apresentação neste caso foi feita por Ruy de Góes Leite de Barros, diretor do Programa de Proteção e Melhoria da Qualidade Ambiental do Ministério do Meio Ambiente.

Paralelamente ao seminário também foi realizada uma exposição de produtos e serviços oferecidos pelos patrocinadores do evento, entre os quais se incluem Bandeirantes Refrigeração, Dupont, Embraco, Emerson Climate Technologies, Invensys e Scarceli Refrigeração.

O seminário contou também com o apoio do PNUD, Senai e Sindratar, além da Smacna Brasil.

Fonte: Revista ABRAVA


 

 

 

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