Matéria
publicada na edição Nº192 - Fevereiro de 2007
do jornal Oficina Brasil
Texto: Daniel Carvalho Luz
A partir desta edição tem início uma série
de artigos sobre gestão empresarial nas oficinas. Trata-se
de um assunto de relevância no cotidiano do reparador atualizado.
Gestão
No passado, características como arrojo, liderança
e persistência impulsionavam o empreendedor em direção
à consolidação de seu negócio.
Nos tempos atuais, navegando por mares turbulentos em meio a tendências
como globalização, concorrência acirrada e transformações
no perfil dos consumidores, novas posturas e competências
são requeridas do empreendedor.
A falta de uma gestão profissional têm sido a grande
causa da ruina de muitos empreendimentos. Hoje, para que a empresa
tenha sucesso é fundamental que o gestor desenvolva uma visão
integrada, sendo capaz de alinhar as ações de diversas
áreas como a operação que é a gestão
do estabelecimento, vendas e atendimento, finanças e a gestão
das pessoas em direção ao objetivo comum: Crescer
e prosperar.
Somente este
domínio do todo poderá assegurar ao gestor o crescimento
seguro do seu empreendimento.
A ciência da gestão empresarial oferece inúmeros
instrumentos para planejar, conduzir e monitorar o negócio.
Contudo, muitos destes instrumentos dificilmente chegam ao alcance
do gestor das pequenas e médias empresas, como por exemplo,
no caso das oficinas de reparação automotiva.
Os conceitos
e ferramentas apresentados em um programa de treinamento com enfoque
na Gestão do Varejo para a Competitividade quando colocados
em prática podem resultar num significativo salto de eficiência
da gestão impulsionando os resultados do negócio.
Abaixo ressaltamos alguns temas que o gestor de uma oficina de reparação
necessita conhecer para gerenciar melhor seu negócio.
• Planejamento estratégico
• Gestão de marketing e vendas
• Gestão de pessoas
• Gestão financeira
• Gestão produtiva
• Gestão da qualidade
• Segurança e meio ambiente
• Excelência no atendimento ao cliente
Planejamento
estratégico
O primeiro passo para o sucesso no mundo empresarial é ter
um plano de negócios bem formulado. A competência para
definição de estratégias claras, eficazes,
capazes de permear todos os processos da organização
tem se mostrado como um fator comum entre as empresas líderes,
nos mais diversos segmentos.
O plano de negócios
pode ser desenhado em três estágios:
• fundamentos
• a análise de cenário
• e as definições estratégicas.
Fundamentos
Os fundamentos (ou intenção estratégica) orientam
o planejamento. Eles fornecem bases sólidas sobre as quais
se pode construir a estratégia com sustentabilidade. Uma
organização tem sua identidade descrita pelos seus
fundamentos. Os fundamentos incluem a análise dos acionista
e investidores, e as definições de negócio,
missão e princípios.
Análise
de cenário
A análise de ambiente tem por objetivo caracterizar o cenário
atual onde a empresa está situada, avaliando os aspectos
internos e externos envolvidos. Por meio de uma ferramenta de análise
chamada SWOT (*) é possível avaliar o cenário
interno da organização, propondo considerações
sobre seus pontos fortes e pontos fracos. A avaliação
das oportunidades e ameaças presentes no cenário externo
complementa a dinâmica de avaliação de ambiente.
(*)O termo SWOT vem do inglês e representa as iniciais das
palavras Streghts (forças), Weaknesses (fraquezas), Opportunities
(oportunidades) e Threats (ameaças).
Definições
estratégicas
Depois de sedimentadas as definições filosóficas
da organização e avaliado o cenário onde ela
está inserida, é o momento de se determinar as Definições
Estratégicas.
Estas definições incluem a visão de futuro
que aponta o patamar que a empresa deseja alcançar depois
de um determinado intervalo de tempo, bem como o detalhamento desta
visão na forma de objetivos estratégicos.
Outra ferramenta de análise utilizada é o Balanced
Scorecard (Indicadores Balanceados de Desempenho), onde a organização
pode alinhar as ações internas e externas à
visão. O modelo permite também acompanhar a evolução
dos processos por meio dos indicadores de resultados que poderão
ser aferidos pelos indicadores de efetividade.
Estratégia
de marketing e vendas
Vender já não é tão simples como era
antigamente. Em tempos de acirrada competitividade é fundamental
que a empresa conheça a fundo o mercado em que atua e as
características de seus clientes para criar diferenciais
competitivos.
Estrutura do
mercado
Um interessante instrumento para a compreensão das características
do mercado em que se atua é o modelo das cinco forças
competitivas. Este modelo elaborado pelo pesquisador de Harvard,
Michael Porter, sugere a avaliação do ambiente através
da análise dos 5 fatores competitivos apresentados abaixo:
• Intensidade da rivalidade entre concorrentes
• Atuação e características dos fornecedores
• Comportamento e demandas dos clientes e consumidores;
• A barreiras para a entrada de novos entrantes;
• E a existência de eventuais produtos substitutos;
Mix de marketing
Uma tradicional ferramenta para o desenho da estratégia de
marketing e do planejamento de vendas é o chamado Mix de
marketing composto pelos 4P’s apresentados abaixo:
Gestão
de pessoas
Conforme o prognóstico certeiro do observador social Alvin
Toffler, nós vivemos a onda da informação,
e neste período o poder vai se manter nas mãos dos
que souberem gerenciar o conhecimento. Grande parte do conhecimento,
habilidade e competência de uma empresa está em seus
funcionários. Por isso, nunca foi tão importante atrair,
capacitar, remunerar e reter as pessoas de talento na empresa.
Recrutamento
e seleção
Alguns especialistas em gestão de pessoas têm sensibilizado
os gestores empresariais com os custos expressivos de falhas nos
processos de seleção. O processo de recrutamento e
seleção é a porta de entrada da organização
e por isso deve ter precisão. A elaboração
de uma descrição de cargo, detalhando as competências
necessárias para o cargo a ser preenchido favorece bastante
a efetividade da contratação. Outra ferramenta importante
é a entrevista por competência, onde o entrevistador
pode obter informações valiosas sobre o perfil do
candidato avaliado. A figura abaixo apresenta as etapas do processo
de contratação de talentos.
Remuneração
e retenção
A forma como a empresa remunera seus funcionários tem reflexos
diretos no grau de satisfação e na rotatividade de
pessoal. Uma boa estrutura de cargos e salários deve proporcionar
um equilíbrio interno e externo.
O equilíbrio interno se refere à inter-relação
coerente dos salários praticados pela empresa. Por exemplo,
espera-se que os profissionais que exercem funções
mais complexas recebam um salário maior do que os funcionários
menos capacitados.
Por sua vez, o equilíbrio externo se refere ao comparativo
entre a remuneração que a empresa efetua com a remuneração
que as outras empresas atuantes no mesmo segmento efetuam.
Vale lembrar que, quando estudamos o plano de remuneração
devemos avaliar, além dos salários, os eventuais prêmios
e benefícios oferecidos.
Gestão
financeira
Assegurar o sucesso do negócio no turbulento cenário
macroeconômico de nosso país é um desafio para
os gestores. O empreendedor deve fazer uso das ferramentas de gestão
financeira, como o Fluxo de caixa, o demonstrativo de resultados,
os indicadores disponíveis, para monitorar a saúde
da empresa e determinar a direção a seguir.
Planejamento
financeiro
Para não ser surpreendido por adversidades é fundamental
a elaboração de um planejamento financeiro seguido
do contínuo monitoramento. As principais etapas para a elaboração
de um planejamento financeiro são:
• Previsão de vendas;
• Expectativa de rentabilidade;
• Projeção do Demonstrativo de Resultados;
• Estimativa dos pagamentos, recebimentos e atrasos;
• Elaboração do orçamento de caixa;
• Projeção do balanço patrimonial.
Gestão
do capital de giro
O termo capital de giro se refere aos investimentos feitos por uma
empresa em ativos correntes. O capital de giro líquido resulta
da diferença entre o ativo circulante e as obrigações
correntes (passivo circulante). O capital de giro da organização
é um fator crítico para a sobrevivência e por
isso deve ser gerenciado cuidadosamente. Grande parte das decisões
gerenciais da empresa dependem deste gerenciamento. A situação
do capital de giro pode determinar qual a taxa de crescimento mais
saudável para o negócio e pode permitir a criação
de uma defesa contra queda de vendas e sazonalidades.
Gestão
de compras
Excelentes oportunidades para aumentar os lucros estão na
gestão de compras. Algumas das práticas muito eficientes
neste sentido são segmentar os itens comprados conforme sua
criticidade, bem como a estruturação de parcerias
estratégicas com fornecedores.
Fonte: Oficina Brasil