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A máxima utilização do leito viário

Melhoria nas condições de segurança e fluidez na avenida 23 de Maio:
A busca por melhores condições de segurança e fluidez no trânsito deve ser a preocupação básica de qualquer órgão responsável pela circulação de veículos e pedestres.
Normalmente, as pessoas associam esses objetivos à execução de projetos que resultam em obras de capital vultuoso, esquecendo das medidas racionais e econômicas que podem solucionar os problemas relacionados à circulação viária. Um exemplo de intervenção simples e praticamente sem custo é o projeto que a CET implementou, na avenida 23 de Maio, cuja racionalização das faixas criou uma a mais, aumentando a capacidade da via e reduzindo o nível de risco de acidentes e, portanto, de vítimas.A observação visual e direta da avenida 23 de Maio, ou a utilização da mesma, mostra que o trânsito já melhorou e que a convivência entre o carro e a moto não piorou.


Ao contrário do que muitos imaginavam, a capacidade máxima de uma via de fluxo contínuo como esta ocorre a velocidades entre 40 e 50 km/h, em face do maior adensamento entre os veículos. Os dados técnicos colhidos e avaliados confirmaram a constatação.
No período de 3 a 24 de outubro aconteceram oito acidentes sendo dois com motos (25%). No período anterior, de janeiro a setembro de 2005, foram observados 98 acidentes na avenida 23 de Maio (66 com autos e 32 envolvendo motos, portanto, representando 33%). Entendo que apesar do período curto de avaliação, levamos em conta também o período inicial de adaptação, que é normalmente a fase de maior risco, pela falta de hábito dos usuários em trafegar com as novas medidas das faixas. Assim, constatamos que a tendência é de redução do número de acidentes, principalmente a proporção que envolve motocicletas.


Os resultados também foram bastante significativos na fluidez do trânsito. No trecho com a nova sinalização, foram verificadas reduções nas extensões de lentidão. O resultado de avaliações referentes a cinco dias antes e depois, mostraram que, no sentido bairro/centro no período da manhã, a redução da lentidão atingiu 79,4% e, no período da tarde, 49,4%.
Os dados observados confirmaram na prática o que a teoria previa, mais segurança, maior capacidade e menos congestionamento. A medida ampliou a capacidade da via em 20%. Com a faixa adicional, a avenida 23 de Maio pode receber, por hora, 1.400 veículos a mais.
O objetivo atingido foi o de melhorar as condições de segurança e fluidez do trânsito, sem gastos com infra-estrutura. Nesse trecho, a pista tinha quatro faixas com 3,50 metros de largura, e passou a ter quatro com 2,65 metros e uma com 3,20 metros de largura por onde circulam os ônibus nesse corredor.
Com a pintura de uma quinta faixa de rolamento na avenida 23 de Maio, no sentido bairro/centro, entre os viadutos Euclides de Figueiredo e Pedroso, a CET eliminou o "gargalo" onde desemboca a Rua Tutóia. Como as mudanças exigiram apenas pintura de solo, não houve necessidade de obra para alargar a avenida. Lembro que a CET adotou essa medida também com o intuito de disciplinar a circulação dos motociclistas na via e fazer valer o que reza o Código de trânsito Brasileiro. De acordo com o Artigo 192 do CTB, consiste em infração grave "deixar de guardar distância de segurança lateral e frontal entre o seu veículo e os demais, bem como em relação ao bordo da pista, considerando-se, no momento, a velocidade, as condições climáticas do local da circulação e do veículo".


A lei não determina que as motos trafeguem sempre pela direita, e nem poderia fazê-lo, sob pena de colocar em risco a vida do condutor e de terceiros.
Por isso, segundo o Artigo 199 do Código de Trânsito, é considerada infração de trânsito grave ultrapassar pela direita, salvo quando o veículo da frente estiver colocado na faixa apropriada e der sinal de que vai entrar à esquerda.
O procedimento de sempre procurar a racionalização do uso do espaço viário, que é um bem público cada vez mais escasso em São Paulo, tem levado a busca de soluções como a Máxima Utilização do Leito Viário – MULV, que tem como característica o seu baixo custo. Ao se acrescentar uma quinta faixa na 23 de Maio, o gasto adicional foi inferior a R$ 10.000. Esse tipo de tratamento adotado há vários anos em diversas vias de tráfego intenso sendo a primeira delas na avenida Rebouças, sentido bairro/centro. Nessa avenida ocorreu, em 2003, a redução de uma faixa pelo alargamento das demais.
Na avenida Rebouças, no sentido bairro – centro, em que foi implantado o primeiro projeto MULV da cidade, ocorreu o inverso, isto é, em 2003 as faixas de tráfego foram alargadas. Se compararmos um período de três meses de 2002, quando as faixas de tráfego eram mais estreitas, e três meses em 2003, quando a avenida foi sinalizada com faixas mais largas, houve um acréscimo significativo de acidentes como mostra a tabela abaixo que confirma a tese.


É fundamental continuar o processo de avaliação e monitoramento na busca por melhores condições de segurança e fluidez, como na avenida 23 de Maio, e que se promovam as mudanças que se fizerem necessárias.

Fonte: Jornal Oficina Brasil
Texto: Por Roberto Salvador Scaringella

 

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