Saiba como e quando é a hora de trocar a correia dentada
do seu carro e quais são as conseqüências do rompimento
dessa peça por causa do uso excessivo
Por Antônio
Carlos Bento
De Dezembro
de 2006 até hoje, a Agenda do Carro inspecionou mais de 1.200
veículos na cidade de São Paulo. Os resultados dessa
inspeção têm nos mostrado, com dados concretos,
como a manutenção preventiva é relegada a segundo
plano por grande parte dos proprietários de veículos.
A partir dessa semana, abordaremos cada um dos problemas detectados
nas inspeções, com dicas de reparação
e seus benefícios.
No topo da lista dos problemas detectados está a correia
dentada. Só para se ter uma idéia do tamanho do problema,
39% dos veículos inspecionados apresentaram folga e / ou
desgaste na correia dentada. E isso pode ser tremendamente sério.
Vamos ver.
Essa peça, de extrema importância, atua no motor do
veículo, ligando o eixo-comando de válvulas ao virabrequim
do motor, sincronizando-os e fazendo com que as válvulas
de admissão e de escapamento se abram e fechem no momento
exato. Também mantém o sincronismo entre o virabrequim
(que transfere a força do motor às rodas) e o comando
de válvulas (responsável pela entrada e saída
de gases no cilindro).
Composta por borracha, cordonéis de fibra de vidro e tecido
de proteção para os seus dentes, a peça, que
é conhecida tecnicamente por correia sincronizadora, começou
a ser usada no início dos anos 60, durante o lançamento
de motores nos EUA.
Quando a correia se rompe, em geral por desgaste não constatado
pelo usuário, esta sincronia de trabalho entre os dois componentes
é afetada. As válvulas começam a se movimentar
de forma desordenada e os pistões permanecem trabalhando
(subindo e descendo) sem critérios. A conseqüência
pode ser catastrófica, os pistões e válvulas
podem se chocar, ocasionando o empenamento das válvulas e
danos ao cabeçote.
Quando a correia se rompe com o motor em movimento, o carro pára
imediatamente, como se o motorista o tivesse desligado. Isso acontece
porque os ciclos de alimentação e de escape do carro
se interrompem e, neste caso, é possível que, na subida
do pistão (para expulsar os gases da combustão) a
válvula não recue no tempo certo, o que pode acarretar
o empenamento de suas hastes. Pelo mesmo motivo, também são
prováveis, danos nos pistões e demais componentes,
causando um enorme prejuízo.
A substituição da correia é relativamente barata
quando comparada à retífica de cabeçote e à
troca das válvulas amassadas. O valor médio da troca
de uma correia, incluído a mão-de-obra é de
R$ 150,00; já a retífica fica, em média, R$
3.000,00, 20 vezes mais caro. Além disso, fazer a troca da
peça antes que o problema apareça dá bem menos
dor-de-cabeça para o motorista.
Como a durabilidade da correia dentada varia de acordo com cada
carro, para evitar o seu o rompimento, verifique suas condições
e efetue a substituição preventiva nas quilometragens
recomendadas pelo fabricante do veículo, em geral, por volta
de 50.000 km. Em uma cidade com o trânsito de São Paulo,
por exemplo, ou cidades do interior, onde a peça está
mais sujeita a presença de terra e lama, a durabilidade do
produto fica comprometida. Por isso, é importante levar o
carro a uma oficina mecânica para uma inspeção
visual a cada 15 mil quilômetros rodados para avaliação
do nível de desgaste da peça (e também das
outras correias Poly V e V) porque o período estipulado pelo
fabricante é calculado de acordo com as condições
ideais de uso do carro. A qualquer sinal de desgaste das bordas,
faça a substituição e aproveite para pedir
ao mecânico que analise também as polias, tensores
e rolamentos auxiliares.
Ao comprar um veículo usado, não hesite em substituir
a peça, pois você não sabe ao certo qual o histórico
de manutenção desse item. Na maioria das vezes, além
da correia dentada também é necessário trocar
o seu esticador que é composto de um rolamento que pode apresentar
folgas ou mesmo travar provocando o rompimento da correia.
Mais uma coisa: uma correia funciona silenciosamente se utilizada
nos padrões sugeridos. Portanto, ruídos provenientes
do motor são um sinal claro de que algo deve ser inspecionado;
e pode muito bem ser a correia dentada. Um ótimo sinal para
verificar se há necessidade de troca é quando, ao
deixar o carro em ponto morto, a correia costuma emitir um ruído
intermitente e agudo.
Ao levar o carro ao lava-rápido, não deixe lavar o
motor porque a água suja que escorre durante a lavagem, pode
contaminar a correia e diminuir a sua vida útil.
As correias Poly V e V, acima citadas, promovem o acionamento e
mantêm o funcionamento de diversos acessórios do motor
tais como: alternador, direção hidráulica,
ar-condicionado, bomba d’água e compressor de ar. E,
quando não funcionam, interrompem a operação
da bateria, do ar-condicionado ou da direção hidráulica.
Veja quantos problemas podem ser evitados com a simples troca de
uma correia. A troca das Poli V e V deve ser realizada a cada 40.000
km ou conforme especificações do manual do fabricante.
Agora que você já sabe tudo a respeito de correia dentada,
Poly V e V fique de olho e faça a correta manutenção
das peças para não ficar na mão.
E como tem feriado prolongado pela frente, antes pegar a estrada,
confira os itens de segurança do seu carro (luzes, faróis,
nível do óleo, calibragem dos pneus, incluindo o estepe,
limpador de pára-brisa e palhetas). E faça uma viagem
tranqüila e segura, garantindo a qualidade do seu feriado com
sua família e amigos. E descanse que, afinal, ninguém
é de ferro!